G1 cruzou dados de desempenho com histórico de repetência dos alunos. Nota também é mais baixa entre quem se atrasa ou costuma 'matar' aula.
O questionário aplicado pelo Pisa também revelou se os alunos
costumavam se atrasar para as aulas ou se tinham o hábito de "matar"
dias inteiros na escola. O cruzamento feito pelo G1 mostra que, quanto mais frequentes são esses hábitos, menor é a nota média do grupo analisado.
Os alunos que disseram não ter se atrasado para nenhuma aula nas duas
semanas anteriores ao Pisa tiveram média de 413 pontos em leitura, 394
em matemática e 408 em ciências. Já os que afirmaram ter se atrasado
pelo menos cinco vezes no período ficaram com nota média de 391 pontos
em leitura, 372 em matemática e 381 em ciências.
No caso dos participantes que "mataram" aula cinco ou mais vezes no
período de duas semanas, as médias de leitura, matemática e ciências
foram 358, 357 e 327 pontos, respectivamente. Já os estudantes que
fizeram o Pisa e disseram não ter faltado a nenhuma das aulas nesse
tempo ficaram com média 413, 394 e 407.
Para o coordenador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins
Faria, a diferença entre as notas reflete, em grande parte, a diferença
de perfil entre os estudantes. "Alunos que não faltam nem chegam
atrasados provavelmente são mais engajados para o estudo. O que sabemos
por pesquisas é que o acompanhamento próximo do aluno, incluindo sua
presença e pontualidade, traz benefícios significativos para o
aprendizado."
Ocimar Alavarse, da USP, diz que os dados podem esconder uma realidade
brasileira. "O fato de o estudante chegar atrasado com uma frequência
maior pode indicar alguma dificuldade de acesso à escola. Também pode
refletir [a falta de] alguns cuidados da família com ele. Já o caso do
aluno que chega a 'matar' aula, que nem vai para a escola, pode denotar
um controle da família menor ainda. Ou refletir condições
socioeconômicas, porque há o estudante que não vai porque foi ajudar o
pai a vender algo ou o que precisou ficar cuidando do irmãozinho."
Já Faria aponta que escolas com bons resultados na Prova Brasil, como
as de Sobral e Pedra Branca (CE) e Foz do Iguaçu (PR), têm um olhar
atento sobre cada estudante no que diz respeito à pontualidade, à
presença e ao aprendizado em sala de aula.
Alavarse concorda que esse é o caminho. "A escola não muda o mundo, mas
em algumas coisas ela pode interferir, sim", afirma. "O acompanhamento,
se a criança está chegando atrasada, se está faltando e, claro, se está
tendo um bom desempenho, é fundamental. Parte do engajamento dos alunos
depende do papel da escola."
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